Cotas para transexuais e travestis seriam a solução?

março 28, 2019 0 Por Rubia Cely

Muito se fala em inclusão de LGBTI+, entretanto, na prática, vê-se um cenário muito distante do ideal. De acordo com a pesquisa “Out to Succed”, realizada pela PwC em conjunto com a rede global Out Leadership, em 2018, “quase 40% dos talentos LGBT+ no mundo não acreditam que suas empresas estejam fazendo o suficiente para incentivar a diversidade no ambiente de trabalho.”, conclui Ana Malvestio, sócia da PwC Brasil e líder de diversidade e inclusão. A pesquisa foi realizada com 231 funcionários LGBTI+ de diferentes países.

No Brasil, algumas universidades têm se posicionado com relação a inclusão de bolsas para pessoas trans e travestis. Como, a Universidade do Estado da Bahia – Uneb, que, em 2019 já proporciona bolsas de estudo para pessoas transgênero, travestis, transexuais, quilombolas, dentre outros. As cotas se estendem, nesse caso, para graduação e pós graduação.

O tema causou repercussão no Instagram do Bicha da Justiça (@bicha_da_justiça). Usuários da rede apontaram diversos pontos de vista, a maioria favoráveis a implantações de cotas para esse grupo, porém outros declararam ser contra.

Não concordo, a nossa capacidade não está circunscrita pela sexualidade e gênero

 

A taxa de desemprego de pessoas trans é alta. Somos uma das minorias mais vulneráveis, temos a menor expectativa de vida. Muitos de nós não conseguem terminar o colégio por N motivos, que dirá entrar para uma universidade/arranjar emprego. Não podemos pensar na parcela de nós que tem facilidade a educação.

 

Sou contra a qualquer tipo de cota. Entrar por cota é humilhante.

 

 

Sou 100% a favor! A própria sociedade marginaliza a população trans e o MÍNIMO que poderia fazer é possibilitar a inclusão dessa galera na educação! Se houver qualquer dúvida quanto a isso é só olhar para o lado e ver quantas pessoas trans estudam com você.

Não existe nenhuma lei federal que versa sobre cotas para esse público, ou seja, as empresas que incluem, o fazem pela própria política institucional. Contudo, pode-se citar alguns projetos de lei em âmbito federal e municipal. Em 2016, foi criado um projeto de lei da câmera dos deputados, que define cotas para candidatos LGBTI+ nas eleições municipais. De acordo com João Baptista Carri Neto, autor do projeto, a intenção é poder lançar novos valores no meio político. Já o vereador de Fortaleza, Marcio Martins, apresentou, em 2017, um projeto de lei que direciona 2% das vagas dos concursos públicos municipais para transgêneros e transexuais.  “Cotas para travestis e transexuais não são privilégios”.

 

Quanto a inclusão de pessoas LGBTI+ no mercado de trabalho, segundo Bruna Andrade, advogada do Bicha da Justiça, não se trata apenas de oferta de vagas direcionadas a comunidade, mas também, ao contratar, que as políticas internas da empresa sejam inclusivas e respeitem as demandas da pessoa sob uma perspectiva de direitos corporativos. O nome social no crachá, utilização do banheiro conforme a identidade de gênero e liberação de procedimentos pelos planos de saúde corporativos, são exemplos dessa inclusão.

 

 

No meio político, nas empresas e nas escolas, por todos os lados vê-se uma tentativa de inserir essa parcela da população no meio acadêmico ou mesmo garantir a subsistência desses cidadãos. Um dos pontos favoráveis às bolsas é atribuir uma qualidade de vidas a essas pessoas, oferecer um acolhimento pelo meio acadêmico, uma estrutura financeira, por meio dos empregos, mas também capacita-las, afastando-as da violência. De acordo com Daniel Mori, psiquiatra que trabalha no núcleo de atendimento à população transgênero no Hospital das Clínicas de São Paulo, ao portal Época, explica que “A média de vida dessa população no Brasil é de 35 anos – menos da metade da média nacional (75 anos)”, isso também dado ao índice de violência.