“Vai tomar no c…! ” : Homofobia ou mimimi?

“Vai tomar no c…! ” : Homofobia ou mimimi?

abril 12, 2019 0 Por Rubia Cely

Quantas vezes você pronuncia frases prontas sem saber o que elas querem dizer ou qual são suas origens? Acontece que muitas dessas, referem-se a grupos sociais de maneira pejorativa. Dentre estes grupos, os LGBTI+.

A homossexualidade e a incompatibilidade de gênero existem desde os primórdios da sociedade, mas reprimidos e julgados por anos, receberam estigmas negativos que estão enraizados no cotidiano. O que impacta diretamente na vida desses LGBTI+, como Ana Paula, jornalista, que conta sobre os infelizes comentários que fazem por ela ser bissexual.

“Pra mim as pessoas desconhecem a natureza do bissexual. Mas, muitos não têm vontade conhecer também. Já vêm com o pré-conceito, o que muitas vezes gera desconforto. Você dizer que é bi automaticamente já colocam uma placa de promiscuidade no seu pescoço. E não é polemizar demais não, já cansei de ouvir: você é bi? Bora fazer um a três?”.

A cultura discriminativa em seus jargões está tão naturalizadas, que perguntamos a pessoas que estão fora do grupo LGBTI+, como eles encaram determinadas expressões rotineiramente usadas.

“E comecei a me policiar, e a pensar, se alguém fala “isso é coisa de baitola”, não interpreto como algo ruim e tento fazer a pessoa entender também que não é algo ruim.”.

Lucas, 22 anos (heterossexual)

“Por exemplo, acredito que em sua essência a expressão “vai tomar no c…” é homofóbica. Basicamente, o termo significa mandar alguém se submeter a prática de sexo anal. Mandar alguém tomar no c… é rotineiramente utilizado como xingamento, é algo negativo, ou seja, se interpretado junto de seu significado literal, a utilização do termo deprecia uma forma de manifestação sexual.”.

Douglas, 21 (heterossexual)

Já Ana, acredita que para que frases com estereótipos como esse se propaguem ainda mais, é necessário mais empatia e policiamento.

“Para evitar que isso continue acontecendo é necessário entender mais o outro, na verdade, é se colocar no lugar do outro.”.

Bicha da Justiça explica:

Sob o ponto de vista jurídico, todas essas expressões, veladas ou expressas, violam a dignidade da pessoa LGBTI+ e, em razão disso, precisam ser no mínimo repensadas. Ofensas mais evidentes podem, inclusive, configurar crime contra a honra e, portanto, passíveis de responsabilização.