Stonewall: a origem do orgulho LGBTI+

Stonewall: a origem do orgulho LGBTI+

junho 28, 2019 1 Por Bicha da Justiça

Por: Marina França

Todos nós sabemos como a homofobia prejudica o dia a dia das pessoas LGBTI. Aliás, prejudica não é uma palavra boa para definir o sofrimento, o medo e a angústia que sentimos todos os dias, apenas por sermos quem somos.

As estatísticas são assustadoras e é necessário andar com cuidado nos dias de hoje, para não pisarmos em campos minados por indivíduos que se sentem no direito de nos humilhar, rejeitar e agredir, somente por causa de nossa orientação sexual.

Agora, você consegue imaginar como era isso sessenta anos atrás? 

Apenas para contextualizar um pouco, há sessenta anos o mundo vivia assombrado pelo pós-Segunda Guerra Mundial, e o desejo de se restaurar a ordem social era vívido. O Estado norte-americano perseguia comunistas, anarquistas e pessoas consideradas subversivas.

Um relatório de investigação feito pelo Senado dos Estados Unidos dizia que “aqueles que se envolvem em atos abertos de perversão não têm a estabilidade emocional das pessoas normaise, por tal razão, diversos pedidos de emprego foram negados e diversas demissões aconteceram por suspeitas de homossexualidade.

Além disso, a Associação Americana de Psiquiatria classificava a homossexualidade como doença mental, condição esta que permaneceu até o ano de 1973.

Em suma, os atos praticados contra as pessoas da comunidade LGBTI não eram apenas ignorados pelas autoridades, mas incentivados por elas.

No início dos anos sessenta, Nova York vivia em uma campanha para “livrar” a cidade dos bares homossexuais, ordenada pelo então prefeito Robert F. Wagner Jr. Várias licenças para funcionamento de estabelecimentos foram revogadas e policiais secretos trabalhavam infiltrados, conversando com os homens que, ao menor “indício de homossexualidade”, eram presos.

E foi neste cenário que nasceu o ORGULHO de que tanto se fala durante o mês de junho, todos os anos. 

É porque em 28 de junho de 1969 teve início uma série de ataques da polícia de Nova York ao bar Stonewall Inn. A história inteira envolve organizações criminosas que eram as proprietárias dos bares gays da cidade e que, para funcionarem, pagavam propinas à polícia. 

Especula-se que a Família Genovese, proprietária do bar Stonewall, parou de ceder às chantagens policiais, o que levou aos ataques da madrugada de 28 de junho.

Normalmente, as invasões policiais ocorriam assim: os clientes eram alinhados e tinham sua documentação conferida. Policiais femininas verificavam o sexo dos clientes vestidos de mulher e, se fossem homens, eram imediatamente levados para a prisão. No entanto, naquela noite estes cliente se recusaram a acompanhar as oficiais, o que incentivou que os homens na linha se recusassem a mostrar suas identidades. 

A Rebelião durou a noite toda, e pessoas que estiveram presentes relatam um cenário de guerra. Objetos eram atirados pelos manifestantes, lixeiras foram incendiadas, carros foram quebrados e a polícia permaneceu refém, no interior o bar.

Na noite do dia seguinte, 29 de junho de 1969, novas investidas ocorreram, com o mesmo objetivo da noite anterior: liberdade e poder aos gays, o fim das restrições de funcionamento aos bares e a retirada dos mesmos das mãos dos mafiosos. 

A movimentação ainda persistiu por alguns dias e milhares de pessoas se envolveram. A mídia deu grande cobertura e grupos pelos direitos dos homossexuais foram formados.

A partir de então as organizações homossexuais começaram a se manifestar de forma mais aberta. A palavra Gay foi publicada pela primeira vez em um jornal (criado para esta finalidade, pois na época os grandes jornais, como o New York Times, se recusaram a publicá-la), casais deram as mãos nas paradas LGBTI e o mundo viu, pela primeira vez, a força do movimento.É claro que, para os dias atuais, as conquistas advindas da Rebelião de Stonewall deixam muito a desejar. No entanto, a visibilidade para a causa e a força que ela tomou a partir dali tornaram possível que hoje em dia a gente alemeje, com muito orgulho, mais respeito, mais direitos, mais espaço e mais dignidade.