Pesquisa revela os traços da LGBTfobia no ambiente de trabalho; empresas precisam cada vez mais apoiar à causa

Pesquisa revela os traços da LGBTfobia no ambiente de trabalho; empresas precisam cada vez mais apoiar à causa

dezembro 10, 2021 0 Por Wilson
Uma pesquisa feita com pessoas LGBTQIA+ inseridas profissionalmente no mundo corporativo, apontou que 35% do total dos participantes do levantamento relataram que já sofreram algum tipo de discriminação e LGBTfobia no ambiente de trabalho. FOTO: REPRODUÇÃO/INTERNET.

Por Wilson Maranhão, do Blog Bicha da Justiça.

 

Uma pesquisa feita com pessoas LGBTQIA+ inseridas profissionalmente no mundo corporativo, apontou que 35% do total dos participantes do levantamento relataram que já sofreram algum tipo de discriminação e LGBTfobia no ambiente de trabalho. E, dentro desse lamentável cenário, outro dado que chama a atenção é de que 12% dessas vítimas de preconceito afirmaram que a agressão partiu de forma direta ou velada por lideres da empresa, em sua maioria, por gestores.

Esta lastimável realidade é apontada em uma pesquisa feita pela plataforma LinkedIn, que contou com a colhida de entrevistas de profissionais LGBTQIA+ e heterossexuais, divulgada em 2020, como o mais recente e atualizado estudo neste nicho de abordagem. Os números trazem uma realidade que evidencia claramente a importância de que as pautas em defesa dos direitos da comunidade LGBTQIA+ avancem cada vez mais dentro do ambiente corporativo e, que, as empresas assumam o importante papel – de forma ativa -, na construção de práticas e promovendo a capacitar de seus colaboradores, com o objetivo de combater atos lgbtfóbicos no ambiente de trabalho.

 

O que é LGBTfobia?

LGBTfobia é discriminação em razão da sexualidade ou identidade de gênero, também conhecida como homofobia, lesbofobia, transfobia, e entre outras termologias. Sabe aquele preconceito que todes nós LGBTQIA+ vivenciamos no dia a dia? Pois é, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou em votação do plenário da segunda turma, em 2019, que a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero passassem a ser consideradas como crimes, com penas previstas de um a três anos de reclusão, podendo a chegar a cinco anos em casos considerados mais graves.

 

Dados

O estudo do LinkedIn – que ouviu mais de mil profissionais do mercado corporativo -, também traz outros infelizes dados que alertam para a necessidade de trabalhar-se ativamente na desconstrução da LGBTfobia nas empresas. De acordo com a pesquisa, foi constatado que piadas e comentários lgbtfóbicos foram os mais citados entre os respondentes, que para 83% desse público alvo do levantamento, acreditam que as empresas poderiam adotar medidas punitivas contra os colaboradores que cometerem agressões lgbtfóbicas. Entre os heterossexuais, 75% desse público entrevistado concordam com esta iniciativa. 

E na questão de relações interpessoais no ambiente de trabalho, o que diz a pesquisa do LinkedIn?

De acordo com o estudo, 50% dos entrevistados já assumiram sua orientação sexual no trabalho abertamente, 25% já contaram a alguns de seus colegas e 25% não revelaram a ninguém. Àqueles que disseram não falar abertamente sobre a orientação sexual ou a identidade de gênero com qualquer pessoa no ambiente de trabalho, 22% delus admitiram não expor sua orientação por medo de sofrer represália dos colegas e, além disso, outros 14% dos entrevistados temem retaliação dos gestores diretos da empresa.

 

Profissionais LGBTQIA+ reclamam de um ambiente de trabalho desacolhedor; como ser uma empresa parceira da causa LGBTQIA+ ?

 

Ainda segundo a pesquisa do LinedIn, o estudo revela que dos profissionais LGBTQIA+ entrevistados, 81% desse grupo acredita que as empresas precisam ser mais acolhedoras. 

Isso precisa mudar!

Diante desse cenário,  é fundamental que as empresas estejam alinhadas às causas da diversidade, fica a pergunta: como ser uma empresa que apoia os direitos da comunidade LGBTQIA+.  Para a advogada e especialista em Direitos Homoafetivos e de Gênero e cofundadora da Bicha da Justiça, Bruna Andrade, não existem “protocolos padronizados” a serem adotados pelas empresas, e sim a importância da adoção de boas práticas nos ambientes corporativos.

“Eu enxergo que não existe ‘protocolos padronizados’. Existem boas práticas. Não ‘protocolos engessados’. Até porque, eu entendo que a melhor forma de ação de inclusão e diversidade dentro das empresas no que diz respeito ao combate da LGBTfobia é, primeiramente, entender a dinâmica da empresa, a cultura da entidade, e até que ponto essa empresa têm a cultura de desconstrução e valores de respeito aos direitos LGBTQIA+ e da diversidade. Portanto, dependendo de como está o grau da empresa, há ações mais intensas e menos intensas”, destacou Andrade.

Ainda segundo ela, há exemplos de boas práticas que são indispensáveis e que devem ser adotadas pelas empresas.  Ela pontua: “Primeiro destacaria o exemplo da política de tolerância zero a prática de crime de LGBTfobia. Como tivemos, recentemente, no caso do Minas Tênis Club com a demissão do jogador de vôlei lgbtfóbico (Maurício Souza), por conta de uma política zero de manter ali profissionais do seu quadro que pratiquem crimes. Segundo, também é interessante pontuar a existência de comitês de diversidade e inclusão no setor corporativo, porque esses grupos formados pelos próprios colaboradores da empresa são um termômetro do que existe de boa prática, buscando adotar exemplos de políticas de outras empresas, além de receber demandas internas da entidade no qual atuam. E, por fim, destacar a importância de um corpo jurídico muito bem estruturado e que compreenda de forma muito clara quais são os impactos que a LGBTbia gera para a empresa”, pontuou Bruna.

 

Agora que você sabe o que a gente faz, como a Bicha da Justiça pode ajudar você?