Como apoiar e solidariza-se com a causa LGBTQIA+ sem ser lgbtfóbico? Aprenda lições e como as empresas podem ser parceiras da diversidade

Como apoiar e solidariza-se com a causa LGBTQIA+ sem ser lgbtfóbico? Aprenda lições e como as empresas podem ser parceiras da diversidade

novembro 23, 2021 0 Por Wilson
FOTO EMPRESA APOIAM CAUSAS LGBTQIA (Reprodução - Kriangkrai Thitimakorn - Getty Images)

Por Wilson Maranhão, do Blog Bicha da Justiça.

 Nos últimos anos, é inegável afirmar que está havendo consideráveis processos de avanços na defesa das causas LGBTQIA+ por parte do setor corporativo. Dentro por essa busca por uma sociedade mais justa e equilibrada – em todos os seus pilares -, as empresas veem e têm adotado inúmeras causas de apoio a diversidade. Neste artigo vamos abordar como apoiar e solidariza-se com as causa LGBTQIA+ sem ser lgbtfóbico? Separamos lições e entenda como as empresas podem ser parceiras da diversidade.    

Um dos exemplos mais recentes ocorreu este ano em São Paulo (SP), quando um coletivo robusto que reuniu nada menos que 800 empresas em prol da defesa da diversidade e na atuação que colaborou no veto do Projeto de Lei Estadual (PL) 504 que tramitava na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) – que previa restrições na representação da comunidade LGBTQIA+ na publicidade e propaganda. Multinacionais, como P&G, Itaú, Riachuelo, e entre outras, partciparam do movimento em apoio à esta parcela da população.

Mas por que tantas empresas, que antes “passavam panos quentes” para o preconceito, agora militam e se posicionam? Muitos creem que o setor empresarial têm adotado apoio as causas LGBTQIA+ como um caminho sem retorno. E diante disso: todes nós agradecemos!

 

Afinal, como ser uma empresa parceira da causa LGBTQIA+ e conscientizar seus colaboradores a não serem lgbtfóbicos?

Mas, diante desse cenário de uma perspectiva positiva de apoio do setor corporativo às causas da diversidade, fica a pergunta: como ser uma empresa que apoia os direitos da comunidade LGBTQIA+ sem ser lgbtfóbica? E, vamos além: como ser uma empresa que apoia a diversidade e não ter colaboradores homofóbicos ou transfóbicos?

 Para a advogada e especialista em Direitos Homoafetivos e de Gênero e cofundadora da Bicha da Justiça, Bruna Andrade, não existem “protocolos padronizados” a serem adotados pelas empresas, e sim a importância da adoção de boas práticas.

“Eu enxergo que não existe ‘protocolos padronizados’. Existem boas práticas. Não ‘protocolos engessados’. Até porque, eu entendo que a melhor forma de ação de inclusão e diversidade dentro das empresas no que diz respeito ao combate da lgbtfobia é, primeiramente, entender a dinâmica da empresa, a cultura da entidade, e até que ponto essa empresa têm a cultura de desconstrução e valores de respeito aos direitos LGBTQIA+ e da diversidade. Portanto, dependendo de como está o grau da empresa, há ações mais intensas e menos intensas”, destacou Andrade.

 Ainda segundo ela, há exemplos de boas práticas que são indispensáveis e que devem ser adotadas pelas empresas.  Ela pontua: “Primeiro destacaria o exemplo da política de tolerância zero a prática de crime de lgbtfobia. Como tivemos, recentemente, no caso do Minas Tênis Club com a demissão do jogador de vôlei lgbtfóbico (Maurício Souza), por conta de uma política zero de manter ali profissionais do seu quadro que pratiquem crimes. Segundo, também é interessante pontuar a existência de comitês de diversidade e inclusão no setor corporativo, porque esses grupos formados pelos próprios colaboradores da empresa são um termômetro do que existe de boa prática, buscando adotar exemplos de políticas de outras empresas, além de receber demandas internas da entidade no qual atuam. E, por fim, destacar a importância de um corpo jurídico muito bem estruturado e que compreenda de forma muito clara quais são os impactos que a lgbtfobia gera para a empresa”, pontuou Bruna.

 

E as práticas de ESG se aplicam para empresas que apoiam as causas LGBTQIA+?

A sigla ESG – Environmental, Social and Governance (Ambiente, Social e Governança, em tradução), é um conjunto de princípios e valores adotados por empresas que investem em boas práticas nos campos citados acima. Muitas entidades avançam na agenda da diversidade, adotando as políticas ESG, para garantir um ambiente de trabalho respeitoso e acolhedor à colaboradores e colaboradoras lgbt’s, além disso, apoiando cada vez mais os processos de desconstrução do preconceito dentro do setor corporativo.

Para Bruna Andrade, é considerável que os conceitos de ESG estão sim alinhados as causas da comunidade LGBTQIA+ e ajudam no campo progressista desta parcela da população.

“O conceito de ESG precisa estar alinhado, com certeza, com as causas dos direitos da comunidade LGBTQIA+. Não somente de direitos, mas também de cidadania LGBTQIA+. Isso porque, a partir do momento que o STF reconhece avanças como o crime de lgbtfobia e as famílias lgbt’s, fomentando assim, a nossa existência e retira quaisquer características de patologia ou amparo jurídico, a empresa tem que enxergar essa nova realidade e absorver isso dentro das suas políticas. Inclusive, a importância de uma estrutura de compliance muito boa para que não haja ruídos de comunicação e a prática de crimes lgbtfóbicos de seus colaboradores”, ressaltou Andrade.

Diante desse cenário, inclusive, a Bicha da Justiça realiza o serviço de treinamento do jurídico e RH da empresa, afim de mitigar os impactos jurídicos do preconceito corporativo.

Agora que você sabe o que a gente faz, como a Bicha da Justiça pode ajudar você?

 

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