Você sabe quais cirurgias trans integram o Sistema Único de Saúde (SUS) atualmente? A primeira prevista no processo transexualizador foi a redesignação sexual, feita exclusivamente em mulheres transexuais e travestis. Em 2013, entretanto, o protocolo foi ampliado para incluir outras possibilidades. São 7 tipos, com tempo de espera médio de 8 anos.
Os pré-requisitos para entrar na fila são: ter no mínimo 21 anos de idade e receber um acompanhamento de 2 anos pela equipe multidisciplinar antes. A melhor alternativa a curto prazo ainda é fazer a cirurgia trans pelo plano de saúde, como já explicamos detalhadamente aqui, mas sabemos que nem todes possuem convênio.
Por isso, montamos uma lista com as opções disponíveis, o passo a passo para entrar na fila e como proceder se o procedimento for negado (mesmo preenchendo os requisitos). Confira!
Redesignação sexual ou transgenitalização
Cirurgia trans que visa a construção de uma neovagina, com remoção dos testículos e formação de um canal vaginal. Em suma, esteticamente, é similar a uma vagina cis.
Mastectomia masculinizadora
Remoção das mamas com reposicionamento das aréolas.
Mamoplastia de aumento
Reconstrução das mamas com prótese de silicone.
Histerectomia
Remoção do útero e dos ovários.
Tireoplastia e/ou raspagem do pomo de adão
Cirurgia nas cordas vocais para alteração da voz, que pode ser associada ou não à raspagem do pomo de adão, ou seja, o famoso "gogó".
Faloplastia
Cirurgia para a construção peniana, ou seja, do neofalo.
Cirurgias complementares de redesignação
Procedimentos adicionais de cirurgia trans, mas que sejam prescritos pela equipe multidisciplinar.
Para realizar uma cirurgia trans pelo SUS, você deve cumprir os pré-requisitos que citamos. Como nos planos de saúde, às vezes eles podem acabar negando algum desses procedimentos, principalmente sob alegação de ser algo estético.
Por isso, é importante estar ciente dos seus direitos! O passo a passo é para você que, mesmo dando check na lista, teve o seu procedimento negado:
Não caia em nenhum papo de "cirurgia estética", bicha. Cada vez mais, a justiça vem reconhecendo esse direito das pessoas trans. Portanto, se o SUS não te deixar entrar na fila mesmo preenchendo os pré-requisitos da cirurgia trans, processinho neles!
A Bicha da Justiça pode te ajudar, pois um advogade especialista em direitos LGBTQIA+ faz toda a diferença no processo. Fale conosco aqui.
Além disso, compartilhe o post com seus amigues e deixe as dúvidas nos comentários!
Não é favor, é direito! Além das cirurgias do processo transexualizador, há outros direitos gratuitos de saúde LGBT no Sistema Único de Saúde (SUS), como hormonização, inseminação artificial, PrEP e PEP, por exemplo. Saiba mais:
Além disso, ter a sua identidade de gênero e o seu nome social (ou retificado) respeitados pelos profissionais do SUS também é seu direito. Caso isso não aconteça, é crime de transfobia. Denuncie e conte com a gente!
Foto: Zackary Drucker/The Gender Spectrum Collection (Vice)